quinta-feira, 10 de setembro de 2015

3° Dia - Indaial a Rodeio



Trecho essencialmente plano. A estrada segue margeando o rio Itajaí-Açu, numa paisagem bastante diferente de todo o restante do Circuito. O destaque neste trecho são as pontes, começando pela charmosa ponte dos arcos, ainda em Indaial. Uma vez na estrada, cruza-se uma ponte coberta por telhado, prática comum trazida com os primeiros imigrantes, para proteger o madeiramento. Há também uma ponte pênsil, estreita o suficiente para a passagem de um carro de cada vez. Um semáforo indica o fluxo dos veículos. Não é necessário cruzar a ponte para continuar no circuito, mas é bastante divertido fazê-lo de bicicleta e a vista do rio é muito bonita. Se estiver no meio da ponte quando o fluxo de veículos se inverter não se assuste, basta encostar a bicicleta no canto e esperar que os carros passem. Mais uma vez é necessário o máximo cuidado ao cruzar novamente a BR-470, para chegar à cidade de Ascurra. Em mais alguns quilômetros (de paralelepípedos) chega-se ao destino final do dia, Rodeio. Como a pedalada até aqui foi menor, aproveite para descansar ou conhecer os atrativos locais, como a vinícola e o laticínio. Para quem vai cumprir somente a parte baixa do Circuito, são mais 16 Km de asfalto, com acostamento, para voltar a Timbó.

Fonte: Gia do circuito Vale Europeu.

Distância total: 26,9 Km
Ascensão total: 170 m
Dificuldade física: 1-5
Dificuldade técnica 2-5

Marcos:

Indaial;
Warnow;
Ascurra;
Rodeio.

Devido ao erro de navegação que relatei na postagem do segundo dia da Trip Vale Europeu, acordei com uma missão: recalibrar o meu ciclocomputador. Mas não encontrei o que eu precisava pra fazer isso: uma trena ou metro. Medindo o diâmetro do pneu e configurando o ciclocomputador com a medida exata do pneu sem utilizar tabelas, é a maneira antiga e mais precisa que tem. Segui a viagem com a esperança de encontrar na próxima pousada.

O dia começou lindo! Céuzão azul, algumas núvens branquinhas como algodão dando um charme a mais nas paisagens.



De imprevisto, só o pneu do Maurício que furou logo no início do dia, mas nada demais. O techo foi só alegria. Tudo plano. Dificuldade física 1-5 e dificuldade técnica 2-5. Alias, a programação do guia cicloturístico do Vale Europeu (VE) é super bem pensada. Foi perfeito ter pouca quilometragem hoje. Deu pra acordar um pouco mais tarde, sairmos um pouco mais despreocupados com horário, reorganizar a bagagem e dar uma atenção mais detalhada às bikes. De fato, um dia de cicloturismo para reorganizar as coisas e descansar.



Este trecho também é o último pra quem só faz a parte baixa do circuito de cicloturismo do VE. Ideal pra quem quer começar no cicloturismo e experimentar gradativamente o gostinho da viagem de bicicleta.

Logo no quilômetro 8,7 à esquerda, num desvio de 700 m, visitamos a ponte pênsil sobre o rio Itajaí-Açu. Vale a pena o confere!














Chegamos rápido em Rodeio e fomos muito bem recebidos pela dona Irene na pousada Cama e Café Stolf. Aproveitamos a estrutura dela e lavamos roupas e as secamos. Fica a dica: aproveite sempre que puder para lavar e principalmente secar as roupas, pois Santa Catarina (SC) não tem um clima favorável para secar roupas como na Estrada Real em Minas Gerais, porque SC além de ser frio, é úmido também.



Aproveitei que o filho da dona Irene é um camarada "faz tudo" e consegui com ele uma trena, para calibrar definitivamente meu ciclocomputador. Pronto. Ciclocomputador calibrado.

Deu tempo para, depois de um banho, visitarmos a Vinícola San Michele à 2,5 Km da pousada e provar o vinho local.






Mas a melhor e mais agradável surpresa deste dia ainda estava por acontecer, mas esse será um post a parte, confira aqui.


Informações do Strava:

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

2° Dia - Pomerode a Indaial



Neste dia, o caminho escapa do asfalto serpenteando pelos bairros de Wunderwald (no município de Pomerode). O percurso é bem povoado, com muitas casinhas de belos e bem cuidados jardins. A medida que a estrada sobe o morro, ficam para trás as casinhas e aparecem os riachos, passarinhos e muitas árvores. São duas subidas longas no dia, mas não tão íngremes como a do dia anterior e com planos intercalados. Quem tiver disponibilidade de tempo, e pernas, pode subir um dos mais conhecidos pontos turísticos da região, o Morro Azul. Para chegar lá é necessário desviar alguns quilômetros do percurso (cerca de 7 Km de ida e outros 7 Km de volta, pelo mesmo caminho) e encarar uma longa e forte subida, sendo que no último trecho você terá que deixar a bicicleta e subir a pé. Há opção de um camping lá em cima, para quem quiser aumentar um dia de viagem e curtir com calma o maravilhoso visual do topo. Neste segundo dia de pedalada, é necessário atenção principalmente em dois pontos que encontram o asfalto, pois quem vem de uma estrada de terra pode, às vezes, estar distraído. O primeiro é um pequeno trecho de um quilômetro da estrada que liga Pomerode à BR-470. O outro ponto, que exige o máximo de cuidado, é ao cruzar a BR-470, sempre com táfego muito intenso de carros e caminhões.

Fonte: Gia do circuito Vale Europeu.

Distância total: 41,1 Km
Distância total: 50,8 Km
Ascensão total: 520 m
Ascensão total: 881 m
Dificuldade física: 3-5
Dificuldade física: 4-5
Dificuldade técnica 2-5


Marcos:

Pomerode;
Wunderwald;
Mulde;
Indaial.


Você pode ter estranhado a última foto da postagem do primeiro dia, afinal, falamos de dia chuvoso, lama, frio, mas a última foto está linda e maravilhosa: céuzão azul com poucas nuvens, sol, todos nós limpinhos e com sorrisos lindos. Sim. É que a última foto é do segundo dia e a utilizamos para mostrar a pousada que ficamos, pois do jeito que chegamos, não tínhamos condição moral para pensar em foto de chegada (risos). Mas é sério!

Agora, imagina!

Final do primeiro dia de uma viagem de cicloturismo onde você nunca pedalou. Em condições extremamente desfavoráveis a boas previsões climáticas. E só o que você escuta dos locais e também no noticiário da noite é: previsão de tempestade, ventania e frio no sul do Brasil para o dia seguinte.

No mínimo você acorda com medo de colocar a cara na janela pra não se deparar com a constatação. Mas Papai do céu olhou por nós e reservou, não só o próximo, mas todos os outros dias lindos e agradáveis para nós. Dias ideais para a prática do cicloturismo, do jeito que todo cicloturista gosta.

Mas o dia não se resumiu em só maravilhas.

Teve erro de navegação? Teve. E feio!!!

Pois é. Nesse trajeto tinha um opcional: o Parque do Morro Azul. Um apêndice que você vê no mapa acima. Mas o guia é bem categórico em dizer que esse opcional é para quem está com perna; e até mesmo disponibilidade de mais um dia de viagem, pois escolhe-lo é exigência na certa, mas também com recompensa garantida.

E onde foi o erro? O erro foi achar que a calibragem do ciclocomputador com marcações de quilometragens aproximadas atendia a navegação. Não. Definitivamente não atende, pois você não confia totalmente e, 100, 200 metros podem ser determinantes em um circuito de cicloturismo, onde há várias bifurcações e desvios como no circuito do Vale Europeu (VE). Numa dessas, passamos direto no quilômetro 20,6 e entramos à esquerda na próxima opção, que estava razoavelmente próximo. Mas erro de rota é igual a tiro, um pequeno erro no início pode acarretar algumas dezenas de quilômetros à mais no final. E foi o que aconteceu.

Mas vocês não pararam para perguntar? Sim. E aqui vão algumas observações/ dicas para um cicloturista conseguir navegar com informações de locais:
  1. Não pense que todo local sabe sobre o circuito turístico que você está fazendo na terra dele. Na maioria das vezes a organização que montou o circuito não trabalha a divulgação plena do trabalho com a população local. E aí, muitas das vezes, você sabe mais sobre o circuito do que os próprios nativos.
  2. Ao pedir informação de um caminho, não dê a referência da última cidade do circuito do dia, pergunte sobre a próxima cidade/ referência que você tem no seu guia. Os nativos não olham a cidade turisticamente como você. Eles sempre vão te dar o caminho mais próximo, dificilmente te darão a rota turística, se você não explicar o que você está fazendo. Portanto, apresente-se, fale de onde é, mostre o guia que você está usando e o que você está fazendo; e peça a informação, isso vai te ajudar a não sair mais ainda da rota turística.
  3. Tenha o ciclocomputador bem calibrado.
  4. Fique bem atento a cada evento da sua planilha de navegação, principalmente se os eventos forem próximos. Circuitos com várias bifurcações e entradas próximas umas das outras são muito fáceis de errar.
Moral da história. Pegamos parcialmente a parte opcional do circuito. E o pior: a parte que pegamos, foi a mais dura do opcional do Morro Azul, mas não a parte mais bonita. Essa, ficou para trás e, provavelmente, bem pertinho de nós.

Bom. Conseguimos voltar para o circuito através de um ciclista local, que estava treinando, e mais um dia de lições para nós. Afinal, clicloturismo também é isso!

Tá. Nem tanto (com tantas subidas), né Sandra, Maurício, Adriana e Jader? (risos)

E o que ficou de troféu do dia foi poder respondermos ao ciclista local, quando ele peguntou: Vocês subiram lá? Sim. Com alforges? Sim. Todos? Sim. Caraca, parabéns!

Olhamos uns para os outros e pensamos: Pô, a gente é sinistro!!!

Na roda da pizza no hotel Fink não faltou histórias do dia. Cada um com a sua. E Trip Vale Europeu que segue!!!



















 



Informações do Strava (a bateria acabou em meio ao circuito):

terça-feira, 8 de setembro de 2015

1° Dia - Timbó a Pomerode



Este primeiro dia de pedalada dá uma boa referência de como vai ser o Circuito, tanto em termos de beleza quanto de dificuldades. A estradinha de terra que sai de Timbó cruza a cidade de Rio dos Cedros, atravessa um morro, passando pela localidade de Rio Ada, é o maior desafio físico do dia, mas o visual que se alcança lá de cima e a Mata Atlântica que cobre o percurso compensam de longe o esforço. Preste especial atenção a planilha no trecho do Rio Ada, pois há muitas bifurcações. Já quase chegando a Pomerode, o circuito passa pela Rota Enxaimel, onde há uma grande concentração de casas construídas neste estilo. Várias delas estão identificadas com plaquinhas, que trazes um pouco da história da edificação. Vale a pena parar e conversar com seus moradores para saber um pouco mais sobre as pessoas que conservam este patrimônio arquitetônico até os dias de hoje.

Fonte: Gia do circuito Vale Europeu.

Distância total: 45 Km
Ascensão total: 510 m
Dificuldade física: 3-5
Dificuldade técnica 2-5

Marcos:
  1. Timbó;
  2. Rio dos Cedros;
  3. Rio Ada;
  4. Rota Enxaimel;
  5. Pomerode.

Chegamos em Timbó no dia 07/09/15, por volta das 23h. Não tínhamos tempo de aclimatação, tudo estava cronometrado, por conta da agenda de cada um.

Eu e Adriana descobrimos uma coisa nessa trip: agenda de aposentado pode e deve ser apertadíssima. É impressionante como nossos amigos Sandra, Maurício e Jader não deixam a ociosidade dominar. A trip tinha que acontecer dentro do programado. De fato um exemplo e uma lição pra nós.

E assim começou a nossa Trip VE - SC, no dia 08/09/15, debaixo de muita chuva e muito frio. Uma prova de fogo, digo, de água e frio, pra quem quer realmente fazer cicloturismo sem mimimi.


Ainda acertando o sincronismo, neste primeiro dia saímos bem atrasados, por volta de 11:30. Totalmente fora do que precisávamos de programação. 08:00 é o ideal, 09:00 aceitável.

Então vai a dica: se você puder, chegue a cidade de partida com pelo menos um dia de aclimatação. Esse tempo é imprescindível para ajustes finais, coleta de informações e sintonia com o clima da viagem.


Muita chuva e estrada com lamas. Esse foi o primeiro desafio do dia. E aí mais uma dica: se você não curte para-lamas, como nós não curtimos, escolha pneus com travas rasas, eles puxam pouquíssima lama evitando o respingo nos alforjes e sistemas das bikes. Nosso amigo Jader estava com esse tipo de pneu e era impressionante como ele e a bike ficaram limpos, mesmo naquela condição de viagem. E a comparação foi inevitável, quanto maiores e profundos os cravos dos pneus, mais sujo estava o conjunto ciclista e bike.



O segundo e maior desafio do dia: a travessia do morro na localidade de Rio Ada que faz a divisa entre os municípios Pomerode e Rio dos Cedros exigiu bastante de nós e nos deu uma provinha do que seria nossa trip pelo Vale Europeu.






Chegamos em Pomerode, na Pousada Max por volta das 18:30, lavamos as bikes que estavam muito sujas de lama, tomamos banho, nos acomodamos e fomos direto para a rua tomar um café quentinho, pois o frio estava de rachar.




Informações do Strava:

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Introdução à Trip Vale Europeu - SC


Dizem: quando o bichinho do cicloturismo pega a gente, não larga mais. E nós, estamos começando a acreditar nisso.

Assim que terminamos a viagem no Caminho Velho da Estrada Real - MG no ano passado, 2014, decidimos: vamos fazer o circuito de cicloturismo do Vale Europeu em Santa Catarina no ano que vem, 2015.

E assim, como em todos, passamos o ano planejando nossa viagem.

Em um de nossos eventos que organizamos pela Ciclomacacu aqui em Cachoeiras de Macacu - RJ, conversando em roda de bikers, comentamos sobre nossa próxima aventura. E aí surgiram as preciosas companhias, como quando crianças juntávamo-nos para combinar o role pelo bairro.


Não inventamos a roda nessa trip. Seguimos exatamente como sugerido na página de cicloturismo do Vale Europeu. 300 Km em 7 dias; uma média de 42 Km/dia.

Estudamos os roteiros, lemos cada um deles, reservamos pousadas nos lugares mais distantes na parte alta do circuito. Tiramos o passaporte no restaurante Thapyoka em Timbó. Calibramos os ciclocomputadores. Seguimos o guia que recebemos quando tiramos o passaporte, quilômetro por quilômetro. E o sucesso foi garantido.

Veja como foi nossa viagem dia a dia; e algumas dicas do que fazer e não fazer no Vale Europeu.

Na lateral direita do blog estão os links para as principais postagens dessa trip.

Esperamos que seja útil e que curtem.

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